Convidado Vitalício - Review (TNT)

Convidado Vitalício é uma comédia romântica descontraída e atualizada sobre as dinâmicas tradicionais do matrimônio - com um embate que revela as velhas crenças e as novas práticas quando se pensa em relacionamentos no mundo contemporâneo, o filme não serve apenas como um passatempo que nos faz rir de nós mesmo, ele emprega, talvez sem querer, um novo pensamento sobre os papéis dedicados ao feminino e ao masculino.

Esses papéis, muito desatualizados - leia-se, as permanências de uma sociedade altamente patriarcal - parecem tomar outros rumos mesmo nos filmes de comédia, em que os estereótipos são empregados, muitas vezes, para fazer rir. Mas rir também é uma forma de discussão, certo?

Ao nos concentrarmos na personagem de Alice (Maya Erskine), a jovem que vive o final de um relacionamento, antevemos uma figura extremamente independente e burlesca - diferente daquela sempre sentimental e vitimada garota que acaba de ser dispensada pelo galã cínico, mas que a aparência é vista com bons olhos.



Se à Alice é permitido rir de suas desgraças, o acordo com o amigo de longa data Ben (Jack Quaid) - são vários casamentos em que eles prometem ir juntos para fazer companhia - funciona mais como um dos favores inescapáveis de amizade e que, fatalmente, serve como uma clássico ponto de virada para direcioná-los ao amor romântico. Diferente de Alice, Ben está a procura de um par perfeito: uma mistura de romantismo e amedrontamento, a velha - bem velha mesmo - pressão sobre a tal “idade do casamento” chegar, é realmente algo assustador para ele. Ao mesmo tempo em que sonha com uma princesa - engraçado é perceber como os lugares são revezados, antes falaríamos de príncipe dos sonhos - Ben possui um receio gigantesco sobre, como saber quem é a pessoa certa?

Nesse clima do romantismo ideal, a histórias entre-casamentos acontecem: festas, bebedeiras, confusões e vergonhas. Com uma opção bastante interessante, cada casamento frequentado inicia com o tradicional discurso dos padrinhos, revelando o quanto reiteramos um discurso que deveria parecer emocionante, mas só entrega uma boa parte da verdade: estamos presos nesse círculo vicioso de casamentos que só se fazem por questões meramente contratuais.

A câmera que acompanha essa temporada quase surreal de festas, também reitera sua presença de forma altamente desenvolta - o movimento alimentado por ela, não se resume numa estética que pretende ultrapassar as regras do enquadramento ideal. Afinal, relembrar das opções estéticas em função, também, das histórias é o que faz o cinema um jogo incomparável de razões para ser e não ser, aberto às mais diferentes interpretações.

Nesse ponto, sinalizamos uma escolha que começa a fazer parte do quebrar as regras - burlar as expectativas do casamento e repensar a imagem usualmente estática. Convidado Vitalício está longe de ser um filme completamente subversivo em todos os seus aspectos, mas não de pode deixar de destacar o quanto ele consegue nos fazer cogitar uma forma diferente de apresentar nossas histórias. Por que não ponderar o que encontramos de realmente válido em nosso valores pessoais? Por que não rever esses valores questionando o que de fato serve para a nossa vida e o que somente aceitamos para não ter que pensar neles?

Convidado Vitalício merece risos de vergonha e de identificação, mas além disso, também se dá ao direito de sair um pouco de suas próprias amarras e considerar um pouco mais sobre o casamento como apenas uma festa divertida.


#tnt #critica

© 2018 por Todas Geek. 

  • Facebook Todas Geek
  • Instagram Todas Geek