O Gênio e O Louco: Narrativa Confunde para surpreender!

O Gênio e o Louco é uma obra surpreendente mesmo que a princípio confusa. É extremamente válido ressaltar que ter um primeiro contato com a obra de Farhad Safinia através de seu trailer, é uma experiência extremamente confusa. É possível se confundir com um filme de suspense aos modos de Jeckyll e Hyde, simplesmente por conta de sua montagem e de sua trilha sonora sombria, pois o contexto de sua sinopse apresentada no trailer realmente não parece ser compatível com sua montagem e condução. Esta confusão também se apresenta desde o início do filme até um pouco próximo ao meio deste. Vemos duas histórias paralelas contadas simultaneamente que causam estranheza e uma instiga gigante sobre a questão: Onde estas histórias se encontrarão? A personagem de Mel Gibson é um culto autodidata chamado James Murray, que ao ficar sabendo do ambicioso da universidade de Oxford de criar um dicionário supremo, onde todo o vocabulário inglês seria anexado ao mesmo com seus respectivos significados, menções de suas origens e exemplificações de seus usos, resolve se prontificar para o projeto. Porém, devido ao fato de não ser graduado e não possuir estudos formais, teve de ser testado por uma banca examinadora responsável por este projeto. Nestes testes, demonstra sua incrível habilidade poliglota juntamente com seu profundo conhecimento de etimologia linguística,  fazendo com que toda a banca não veja outra alternativa lógica, se não aceitá-lo no projeto e lhe incumbir a responsabilidade máxima sobre o mesmo.

Em paralelo, temos a história do Dr. W.C Minor. Ex-militar, médico e preso por assassinar um homem que caminhava durante a noite. A personagem brilhantemente interpretada por Sean Penn é perturbada por visões de sua vítima, esta que lhe incumbiu a prisão e também por um homem que condenou nos tempos de guerra pelo crime de deserção. O doutor é preso e condenado a um instituto psiquiátrico, mas por auxiliar um guarda em um acidente ganhou privilégios em sua estádia no manicômio. Ao perceber as necessidades financeiras da viúva de sua vítima, interpretada por Nathalie Dormer, Dr. Minor pede que o valor de sua pensão seja doado a mesma, porém esta reluta em aceitar e só o faz ao perceber a extrema necessidade de seus filhos desamparados. Como é de se perceber, estas duas histórias em paralelo aparentemente não apresentam ligação algum, mas este reviravolta acontece quando o Professor Murray passa a ser intimidado por outros líderes de Oxford que pretendiam refinar a língua inglesa, aceitando apenas as palavras de cunho mais nobre e ignorando as variações linguísticas desenvolvidas pela baixa plebe. O Professor recusa esta orientação e para auxiliá-lo ainda mais em seu trabalho solicita que todas as pessoas que se interessem em contribuir, enviem palavras e citações antigas das mesmas buscando assim suas origens etimológicas. Após algum tempo, seus assistentes lhe informam que um grande ”milagre" aconteceu, pois muitas correspondências chegaram auxiliando assim em seu projeto e fazendo com que este saltasse de forma surpreendente. É neste ponto então que as histórias se cruzam, pois as cartas foram enviadas por ninguém menos que o Dr. Minor. A atuação dos grandes mestres Mel Gibson e Sean Penn é nada menos que impecável. Ambos se entregam de cabeça em suas personagens fazendo com que suas limitações e profundidades sejam completamente críveis. Talvez, o destaque maior deva ser dado a Sean Penn, que mesmo representando alguém em estado caquético, consegue convencer de que dentro daqueles olhos frios e gélidos existe uma alma perdida que luta constante por uma redenção por um crime que demorou a entender que cometeu, mas que ao ter essa compreensão, tentou de diversas formas repará-lo e amenizar seus impactos para com os afetados por este. Mel Gibson só não surpreende mais devido ao fato de que não existem dúvidas quanto ao brilhantismo e imponência de sua atuação. Um homem apaixonado por sua família e por seu trabalho, que mesmo através de diversas tentativas de boicotes, encontra a motivação necessária em um homem que já não via esperanças alguma para sua própria vida e, como bom amigo que se tornou, foca também em ajudá-lo em recobrar sua sanidade mental, dignidade e o mais difícil para este, aceitar o perdão que já lhe foi oferecido. A confusão de O Gênio e o Louco é certamente justificada quando esses contrastes se encontram tornando a obra um excelente filme que apresenta os bastidores de um grande feito acadêmico em conjunto aos bastidores de uma história de redenção e perdão.


Nota: (4 de 5)


Assista ao Trailer:

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