Vingança FM - rEVIEW



#VingançaFM é um suspense que explora uma sociedade enferma e que, não satisfeita, converte a mídia em sua principal medicação e claro, o resultado é a criação de um vírus cada vez mais nutrido, poderoso e fétido.

Se o principal veículo da monstruosidade é o programa de rádio The Grimm Reality, comandado pelo intragável Jarvis Dolan (Eddie Marsan), a vingança que dá peso ao título é encabeçada por Claire (Ivana Baquero), que aos 16 anos fora estuprada por um amigo famoso de Dolan – ato que o radialista sabia e escondeu – Wrecker (Oliver Coopersmith) – namorado descontrolado de Claire e Hunter (Richard Brake), pai de outra menina que também fora estuprada.

O ataque ao jornalista não parece ser grande novidade, afinal, o filme já inicia com essa problemática. Todavia, a investida violenta do trio parece fugir do controle mesmo quando descobrimos o seu motivo: um estupro silenciado. Vingança FM é o tipo de história em que conseguimos compreender o massacre sangrento e, por vezes, até concordar com a violência gratuita – Claire é a corporificação de um sofrimento feminino que é constantemente calado e deixado de lado, a juventude que deveria ser protegida é motivo de chacota e desconfiança por adultos intolerantes e que parecem nunca ter sido jovens.

De qualquer forma, já é mais que sabido que a violência jamais poderá ser corrigida com ela mesma – será que o tempo de patinar e escorregar no próprio sangue está se esgotando? Mesmo com a lamaceira sanguinária, a reflexão proposta ainda se concentra no quanto somos capazes de nos superar – para o mal, quase sempre – e converter os atos violentos não mais em rebeldia, lutas ou derrubadas necessárias de um sistema opressor, mas o passatempo de uma sociedade de sanguessugas.

O programa do homem que se intitula como um portador da verdade faz tanto sucesso com a transmissão ao vivo das confissões – que se inicia com a de Andrew Wilde (Paul Anderson) – que se converte no estopim para o sucesso de Dolan no conhecido programa britânico. Uma falha considerável é a ignorada relação entre pai e filha – a única de Dolan, Jennifer (Matilda Anna Ingrid Lutz), que renderia inúmeras complexidades – as relações são tão difíceis a ponto de converterem-se em um desdém cada vez mais profundo?

Como um tipo de confinamento o filme inteiro se passa, praticamente, dentro dos estúdios, como num blá-blá-blá que pretende explicar-se por meio de textos e quase nunca da imagem, os crimes e as ameaças são constantemente narrados – a sensação de insegurança e a irritação são exploradas por meio de personagens que, quase o tempo inteiro estão fora de controle.

Se a carne humana é o nosso principal alimento e a mídia é o prato de porcelana no qual ela é servida, as palmas que ao final são dedicadas à Dolan representam nós mesmos em nossos julgamentos antipáticos, barulhentos e cheios de nada.


Nota: (3/5)

Assista ao Trailer:

#tnt #tntoriginal

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